~ Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006


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~ Adhara Ivory ~ 10:58 AM ~ ~

~ Sábado, Outubro 29, 2005


Férias da Adhara
Epílogo


Moscou, Rússia, 30 de Agosto.

O lugar onde há séculos viviam os membros da família Ivory era gigantesco. Em uma área que ficava afastada do centro industrial, a Moscou dos trouxas, localizava-se a extensa propriedade, que incluía um bosque, onde eram realizadas as famosas caçadas anuais do clã Ivory, um lago, e as planícies onde se criavam soltos numerosos rebanhos de granianos.
Naquele lugar, envolto pelos mais variados feitiços de proteção anti-trouxas, erguiam-se inúmeras mansões e, no centro, a maior de todas elas: a Casa de Asterion, lar da família principal do clã. A casa que, agora completavam-se quase quatro séculos, sempre abrigara os líderes daquela grandiosa família.

Quanto mais próximo você vivesse da Casa de Asterion, significava que mais próximo era o seu parentesco com a família principal e mais prestígio você possuía. Essa era a regra entre os Ivory. O último filho de Asterion fora Rigel Ivory, que sucedera seu pai, Stephanio, na liderança do clã após a morte deste.
Porém, Rigel fora assassinado sem deixar descendentes, e seu irmão mais jovem, Kamus, desertara a família. Sendo assim, quem assumiu o papel de líder foi Betelgeuse Ivory, a viúva de Stephanio.

Mas todos sabiam, Betelgeuse não era uma autêntica Ivory. Era uma agregada, não possuía o sangue da família, dessa maneira era impossível que ela exercesse a liderança por muito tempo. Na verdade, sua permanência à frente do clã já durara até demais, quase dezesseis anos. Era iminente o fim da linhagem de Asterion e a passagem da liderança para outra Casa.

Naquela agradável noite de verão europeu, Betelgeuse recolhera-se mais cedo em seus aposentos, para abandona-los quando teve certeza de que todos na residência já haviam adormecido. Vestiu uma capa de veludo escuro e aparatou, diretamente para a margem esquerda do lago que havia na propriedade. Seus olhos perderam-se observando a superfície escura e lisa das águas. Sua mente recordava os acontecimentos do último dia.
Tivera uma discussão com Leonid Ivory, o patriarca da Casa de Fiodor. Ele era um primo de Stephanio, e casara com a irmã deste, Irina, tornando-se também cunhado do antigo patriarca. E agora, Leonid pretendia requerer para sua Casa a liderança do clã. Betelgeuse sentia-se como uma vítima encurralada, a situação estava ficando cada vez mais complicada... Não sabia quanto mais levaria para que Leonid recebesse o apoio do Conselho e se proclamasse o líder da família, fazendo com que ela perdesse todo o seu prestígio e influência entre os Ivory.

Foi em meio a toda essa angústia que Betelgeuse recebeu um envelope selado com o brasão da família Black-Thorne. Ela não conseguiu conter seu espanto... Aquele era o selo que estava sempre presente nas cartas que sua irmã-gêmea, Marguerith, lhe enviava quando ainda estava viva. A matriarca dos Ivory sabia que restavam apenas duas pessoas que ainda carregavam o nome Black-Thorne: uma menina a quem Elizabeth dera à luz, provinda do casamento dela com um trouxa desprezível, e Ludovic.
A carta provou-se ser do Comensal, ele requisitava um encontro com a tia. Ludovic dizia portar os cumprimentos do Lord das Trevas, e tinha uma proposta que talvez interessasse ao clã Ivory.
Betelgeuse suspirou, sejam lá quais fossem as intenções do sobrinho e de seu Lord, não faria mal ouvi-los.

"Crack!"

O barulho de uma pessoa aparatando preencheu o local, antes tão silencioso. Betelgeuse manteve seus sentidos alerta, ouvindo o ruído de uma capa balançando conforme o andar de seu dono. Uma figura encapuzada e com uma máscara branca e inexpressiva emergiu de um arvoredo próximo e caminhou até a mulher.

- Boa noite, Ludovic.

- Boa noite, minha cara tia. - a voz de Ludovic Black-Thorne se fez ouvir através das fendas de sua máscara.

- Por favor, tire essa máscara. Faz tanto tempo desde a última vez que nos encontramos, quero ver o seu rosto novamente, sobrinho. - Betelgeuse disse aquilo de modo sereno, quem sabe até mesmo afetuoso?

O Comensal atendeu ao pedido dela, afinal aquela era a única irmã de sua amada mãe. Negar algo à tia seria como desrespeitar o seu próprio sangue. No final, ela era a única parente digna que ainda lhe restava. Além, é claro, de sua jovem sobrinha e futura pupila.

Betelgeuse fitou com melancolia o rosto de Ludovic. Os olhos dele lhe remetiam um sentimento de saudades, pois eram idênticos aos olhos da finada Marguerith. Ela sempre implicara com a irmã, dizendo que os Black não possuíam olhos verdes, e sim azuis-escuros, como os dela própria. Mas a verdade era que Bete adorava as orbes esmeraldinas da irmã, gostava de saber que, apesar de serem gêmeas, ambas possuíam características distintas e complementares.

- Você se lembra deste local, Ludovic? Na primeira vez em que você, seus irmãos e seus pais vieram me visitar, a pequena Elizabeth caiu dentro desse lago e quase morreu congelada. Era inverno, o clima estava insuportavelmente frio e tudo se encontrava coberto de neve...

Ela perdeu-se alguns instantes entre suas reminiscências. Aquelas seis crianças, brincando juntas no meio da neve, tão inocentes e despreocupadas... Rigel, Aldebaran, Ludovic, Alrischa, Kamus e Elizabeth. Quem imaginaria, anos depois, o destino que elas teriam? Que acabariam matando umas às outras? Seis irmãos que se voltaram contra o seu próprio sangue. E no fim, daquela maravilhosa prole, tudo o que restou foram um traidor, um fugitivo da lei, e uma marionete imprestável.

Ludovic observou com carinho a tia, notando que ela, provavelmente, estava imersa em tempos antigos e saudosos. O próprio Ludovic guardava boas recordações de sua visita à Rússia, pois fora aqui que travara conhecimento daquele que considerara por muito tempo um irmão e um mentor, seu primo Rigel. Infelizmente, o primo fora assassinado pelo traidor. E um dia Ludovic teria a sua vingança contra Kamus. Pela morte de Rigel, assim como pelo fato do maldito ter-lhe impingido quase 16 anos de enclausuramento em Azkaban.
Mas, parte dos planos do Comensal, dependiam do sucesso da empreitada de seu grande mestre. E era esse o motivo que o trouxera à Rússia.

- Tia, - começou o ruivo - como sabe pelo pergaminho que enviei à senhora, estou aqui em missão oficial. Em nome do Lord das Trevas. Meu mestre acredita que uma aliança entre o clã Ivory e nossa organização seria de proveito mútuo. O Lord propõe que os Ivory nos ajudem com suas influências e recursos na conquista de toda a Europa oriental, pois sabemos que os poderes dos Ivory se estendem além das fronteiras da Rússia. Em troca, ele se dispõe a ceder seus assassinos, incluindo os gigantes que recentemente se uniram à nós, para exterminar todos os inimigos de seu clã. Usando os assassinos do mestre, nenhuma das outras famílias poderia acusa-los de qualquer coisa. Assim, a Rússia passaria ao controle total dos Ivory. E tudo o que o Lord pediria em troca seria uma aliança mútua e contínua e a não interferência no resto da Europa Oriental. O que pensa disso, cara tia?

- Infelizmente, meu sobrinho, no momento eu me encontro inepta para firmar qualquer tipo de acordo com o seu mestre. - Betelgeuse fechou os olhos, desgostosa - Minha voz já não goza mais de muito poder dentro do clã...

Ludovic sentiu-se desagradavelmente surpreso com aquela revelação. Uma aliança com a família Ivory era imprescindível para o domínio de seu Lord sobre a Europa continental, e ele contava com o auxílio de sua tia nessa questão. Não poderia voltar à Inglaterra de mãos abanando, a menos que estivesse pronto para receber um severo castigo.

- E não há como reverter essa situação? Talvez silenciar aqueles que se opõem à senhora... - sugeriu o Comensal, com uma sensação de antegozo à idéia de que houvessem mais alvos para serem torturados e assassinados antes de regressar para seu país de origem.

- De pouco irá adiantar, Ludovic. Mesmo que os membros da Casa de Fiodor sejam mortos, eu precisaria de um... - Betelgeuse parou de falar e arregalou levemente os olhos diante da idéia que recém passara-lhe pela mente. Como fora tola! Por que não pensara naquela saída antes? - Escute, meu sobrinho, por acaso já teve a oportunidade de conhecer a filha de Kamus, Adhara?

Black-Thorne franziu o cenho. Sabia que seu primo traidor tivera uma criança com aquela mestiça imunda que tomou como mulher. Mas a cara da garota ele nunca chegou a ver.

- Não, tia. Por que pergunta?

Os lábios de Betelgeuse curvaram-se levemente enquanto ela relatava ao Comensal detalhes sobre a neta que conhecera em sua recente visita à Inglaterra. Ludovic também passou a sorrir sadicamente conforme a tia avançava em suas explicações e eles concebiam juntos o seu plano. Um plano que não apenas garantiria a supremacia de Betelgeuse entre os Ivory e uma futura aliança entre o clã e o Lord, mas que também trazia em si a tão almejada chance de Ludovic finalmente se vingar de seu odiado primo de um modo que Kamus jamais poderia esperar.

~ Adhara Ivory ~ 2:35 PM ~ ~

~ Sexta-feira, Outubro 14, 2005


Férias da Adhara
Parte XI


Silêncio. Um silêncio tão pesado que suprimia aqueles que possuíam um espírito mais fraco. Alrischa Nott já demonstrava sinais de cansaço, sentada em um pequeno sofá no escritório de Kamus. Ela conjurara uma taça d'água para beber enquanto observava sua mãe e irmão.

Kamus Ivory era o caçula da prole de Betelgeuse e Stephanio. Um jovem sempre frio e um tanto rebelde, mas que jamais desrespeitara os costumes de seu clã. Sempre fora motivo de orgulho para a família... Até completar seus dezessete anos. Alrischa nunca conseguira compreender o que levou seu irmão mais jovem a trocar tudo o que possuía por uma mulher. Kamus poderia ter qualquer jovem dama da Europa, a mais bela e rica que quisesse... No entanto, preferiu apenas uma, justamente aquela que o levou à perdição.

Betelgeuse Ivory, sua mãe, quando mais jovem fora uma das mais belas mulheres entre a alta cúpula bruxa européia. Uma orgulhosa descendente da mui antiga e nobre família Black que teve seu casamento arranjado com o futuro líder do clã Ivory tão logo formou-se em Hogwarts. Ela amou o marido, Stephanio, com fidelidade e dedicação inabalável até o dia em que enterrou-o. Criou seus três filhos de maneira resoluta, talvez pouco carinhosa, mas essa nunca foi uma característica onipresente entre as mulheres da família Black. Embora Betelgeuse, de sua maneira, amasse e tivesse orgulho de seus rebentos.

Agora, pela primeira vez desde que Kamus abandonara a família, ainda na adolescência, eles estavam novamente reunidos. Se ao menos Stephanio e Rigel não estivessem mortos, Alrischa juraria que haviam voltado no tempo... Voltado às tardes na mansão principal do clã Ivory, quando a família reunia-se para tomar chá. A dama de cabelos cor de cobre sentiu um ligeiro aperto no peito. Ela sentia saudades daqueles momentos, naquela época tudo era tão mais fácil...

- O que quer aqui? E que direito acha que possui para aparecer na minha casa? - foi Kamus quem primeiro falou, encarando diretamente sua mãe.

Betelgeuse não titubeou ante o olhar duro do filho. Ela retirou, com delicadeza, as luvas cor de marfim que faziam par ao seu vestido, enquanto encontrava acomodação em uma poltrona à frente da mesa que a separava de Kamus.

- Sua boa educação realmente o abandonou durante os últimos anos. - disse Betelgeuse, mantendo o rosto sereno - Você pode ter jogado o seu sobrenome na lama, denegrido a memória de seu falecido pai, assassinado o seu irmão mais velho, mas a mim, que sou sua mãe, você ainda deve respeito.

- Se acha que reviver fatos do passado ou clamar pelo seu papel materno terão qualquer tipo de influência emocional sobre mim, isso prova apenas o quão mal me conhece, Betelgeuse.

- Kamus, por favor! - Alrischa levantou-se, falando pela primeira vez desde que entrou naquela sala - Nossa mãe não está aqui para lhe fazer reprimendas, então não seja rude com ela, meu irmão.

O Auror pouco deu importância aquele pedido. Ele não teria qualquer tipo de consideração por Betelgeuse, a mãe não merecia isso. Quanto a Alrischa, apenas abstinha-se de expulsar a ela e o filho de sua casa porque sentia pena da irmã. Pena da pessoa de caráter fraco e facilmente manipulável que ela sempre fora.

- Os dias áureos dessa família há muito já terminaram. - começou Betelgeuse, olhos fechados e mente perdida em recordações - Meu adorado marido se foi, meu caçula nos abandonou e mandou meu primogênito para o esquecimento. E agora, minha única filha terminou de desgraçar nosso nome permitindo que o marido fosse preso como um reles criminoso.

Alrischa sentiu como se houvesse recebido um forte tapa em sua face ao ouvir as palavras desgostosas da mãe. Seria possível que Betelgeuse a culpasse? Culpasse-a pela prisão de Nott na ocasião em que ele e alguns outros Comensais da Morte invadiram o Ministério da Magia, em junho? Que culpa poderia ter ela, Alrischa, se o seu marido e os demais estavam seguindo as ordens do Lord das Trevas?

- Percebe agora? - questionou Kamus, arrancando bruscamente a irmã de seu estupor - É essa a mulher que você defendia instantes atrás, Alrischa.

Betelgeuse reabriu seus olhos, uma expressão severa pronunciando-se no rosto que cultivava as feições outrora tão bonitas. Ela levantou-se em um movimento imponente, e fitou ambos os filhos antes de reiniciar sua fala.

- Não sejamos cínicos a ponto de fingir que Alrischa nunca foi uma fraca. Ela é uma pobre coitada que jamais conseguiu fazer nada por si mesma. Rigel e eu pensávamos que o casamento faria com que o poder do sangue aflorasse nela, mas estávamos enganados. Ela não soube guiar o marido para um caminho de glória, e o filho, esse Theodore, deve ser igual ou até pior do que a mãe. - a matriarca dos Ivory falara tudo aquilo de maneira implacável, pouco importando-se com as lágrimas que começavam a formar-se nos cantos dos olhos de sua filha do meio.

Alrischa abaixou seu rosto. No fundo sempre soube que era exatamente aquilo o que a mãe pensava, que ela era um fracasso... Mas, mesmo assim, ouvir aquelas palavras saindo dos lábios de Betelgeuse fora infinitamente doloroso.
Ela falhara. Havia falhado com o marido, com os pais e, acima de tudo, falhara consigo própria. Mas ainda lhe restava uma coisa: Theodore. O seu único filho ela não poderia falhar em proteger. Não poderia falhar como mãe. Fora impelida por esse desejo que Alrischa procurara a ajuda do irmão, mesmo sabendo que ele, como Auror, poderia prende-la quando ela admitisse que tinha um breve conhecimento dos planos de Ele Que Não Deve Ser Nomeado.

Kamus mantinha-se impassível em seu lugar. Enquanto Betelgeuse não envolvesse o seu nome na conversa, ele não iria interferir. Alrischa e aquele filho dela pouco lhe importavam.

- Mas ainda assim, - disse Betelgeuse, após um mínimo suspiro - sangue é sangue. E mesmo sabendo que colocarei uma inepta novamente sob os meus cuidados, ofereço o meu teto para Alrischa e Theodore. É o melhor a se fazer no momento para evitar que o clã Ivory seja envolvido em algum escândalo.

Alrischa levantou os olhos, arregalados, sem conseguir esconder a surpresa. Ela esperava que, depois de tudo o que ouvira, Betelgeuse também a renegasse como fizera anos atrás com Kamus.

- Excelente. - assentiu o Auror, com um perceptível brilho de satisfação em seus olhos - Agora que essa situação foi resolvida, pegue logo o seu filho e vá para Moscou, Alrischa. Saiam imediatamente da minha casa. Não quero saber de nenhum dos três por aqui mais um minuto sequer.

Betelgeuse levantou-se de sua poltrona de forma altiva e encarou seu filho caçula por uma última vez. Era lamentável tudo o que acontecera... Kamus sempre fora um jovem tão excepcional quanto Rigel. Ele e o irmão teria trazido tanta glória ao seu clã, teriam honrado tanto a memória de Stephanio! E pensar que, pouco mais de 20 anos atrás, ela e sua querida irmã, Marguerith, brindavam a glória de suas famílias. No entanto, ambas sofreram a mesma dor. Filhos mortos, filhos que traíram o seu sangue, filhos que desgraçaram os nomes de seus antepassados...
Ela deu as costas a Kamus e cruzou o aposento, recolocando as luvas de marfim nas mãos pálidas e delicadas. Seus dedos tocaram a fechadura e ela abriu a porta, porém nada poderia ter preparado a matriarca para a visão que ela teria a seguir.

Parada logo à sua frente, Betelgeuse reconhecia um retrato quase perfeito de si própria quando era adolescente. Haviam diferenças, os traços do rosto não eram os mesmos... Mas os cabelos escuros e ondulados, e os olhos azuis meia-noite, os olhos dos Black, estes eram idênticos. E presente naquela garota estava uma postura tão altiva quanto a de Stephanio, seu finado marido. Uma imponência ímpar, que apenas os legítimos descendentes do clã Ivory seriam capazes de possuir. Aquela menina deveria ser a cria que Kamus tivera com a mestiça a quem se uniu. Tentou puxar pela memória o nome da garota... Adhara, não é mesmo? Um nome que seguia a tradição da família Black, a estrela Épsilon de Canis Major.

A sonserina encarou aquela mulher de forma incisiva, não desviaria o olhar por nada neste mundo. Só poderia ser ela a sua avó, Betelgeuse. Não fazia idéia de como era o caráter daquela mulher, apenas soube, no instante em que seus olhos se cruzaram, que a viúva de Stephanio era alguém que deveria ser tratada com extrema cautela.

Kamus, ao ver Adhara parada do lado de fora do escritório, passou depressa por Alrischa e sua mãe e parou ao lado da filha, apoiando uma mão sobre o ombro dela e obrigando a garota a fitá-lo e assim interromper o contato visual com Betelgeuse.

- Eu pensei ter ordenado que você permanecesse em seu quarto. - ele disse em tom baixo, inclinando-se para que seu rosto ficasse mais próximo ao da sonserina e obstruir a visão que ela tinha da avó. Não queria que Betelgeuse tivesse visto Adhara, sua filha deveria ter o mínimo contato possível com os membros da família Ivory.

- Eu sinto muito. - Adhara desculpou-se, num misto de mentira e sinceridade. Realmente sentia-se culpada por ter desobedecido ao pai, mas se não houvesse feito isso ainda estaria trancada no próprio quarto, sem ter idéia do que ocorria fora dele.

Theodore ocupava-se em fitar tanto a avó quanto a prima e o tio, mas não tinha certeza se ousaria perguntar alguma coisa. Tentava estudar a situação, procurando pelo momento mais oportuno para agir. Mas seus pensamentos foram repentinamente interrompidos pela voz severa de Betelgeuse.

- Você é Theodore? - ela perguntou, encarando o garoto franzino com olhos estudiosos. Continuou após receber a afirmação dele - Você virá comigo agora. Alrischa, apresse-se, eu não tenho a manhã inteira.

Após dizer essas palavras, Betelgeuse precipitou-se pelo corredor, sem mais fitar seu filho ou Adhara. Já havia visto naquela garota tudo o que precisava ver...
A matriarca do clã Ivory foi imediatamente seguida por uma Alrischa ainda cabisbaixa, e um Theodore que encontrava-se maravilhado com a aura de imponência de sua, até então desconhecida, avó.

Kamus ainda segurava sua filha pelos ombros, em uma postura protetora; e Adhara apenas observava os vultos dos três desaparecerem pelo corredor, grata ao perceber que, para onde quer que Nott estivesse indo agora, ela não teria mais que se preocupar com a presença indesejada do primo tão próxima de si.

~ Adhara Ivory ~ 10:28 AM ~ ~


Férias da Adhara
Parte X


Duas semanas seguiram-se desde a morte de Amelia Bones e, como o previsto, o Ministério da Magia encontrava-se agora mergulhado no caos. Cornelius Fudge deixou a chefia do ministério a favor de Rufus Scrimgeour, que, durante a primeira guerra contra Ele Que Não Deve Ser Nomeado, fora o líder do Quartel General dos Aurores.

Na noite do assassinato da Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, Adhara esperara até ter certeza de que Theodore voltara para o próprio quarto e então desceu novamente as escadarias para fazer companhia ao seu antigo professor de DCAT. O restante da madrugada até o amanhecer e o retorno de Kamus foi ocupado por conversas entre a garota e Remus Lupin.

Adhara tentara, pelo meios mais sutis possíveis, obter informações sobre os assuntos que seu pai poderia ter a tratar com Moody, Tonks, Shacklebolt e o próprio Remus. Eles não pareciam ser o tipo de pessoas com quem Ivory manteria amizades. Na verdade, pelo que ela conseguia lembrar-se, Kamus jamais lhe apresentara alguém como sendo um amigo. Porém, ela nada conseguira, Lupin estava determinado a não lhe revelar sobre o assunto.

A sonserina espreguiçou-se em sua cama de colunas, apreciando os mornos raios de sol que conseguiam penetrar pelas cortinas cerradas. O nevoeiro deveria ter diminuído e o dia parecia estar agradável, quem sabe não fosse um bom momento para voar um pouco em sua vassoura? A Firebolt que o pai lhe dera de presente há quase dois anos atrás não cortava os céus havia tempos. Adhara sorriu com leveza, era exatamente isso o que faria naquela manhã.

A porta do quarto foi aberta de súbito e com certa violência, causando sobressalto na garota que estava perdida entre seus pensamentos. Ela sentou-se na cama a fim de ver quem havia entrado. Era Kamus Ivory.

O Auror sequer parou para cumprimentar a filha ou explicar os motivos de sua repentina aparição no local. Adhara, ainda um tanto consternada pela surpresa, apenas tomou posição para levantar-se da cama quando viu que o pai rumara diretamente para a tapeçaria ornamentada com a imagem de um casal de unicórnios. Kamus afastou a peça da parede, deixando à mostra a pequena porta de madeira que desembocava em um comprido corredor, e selando-a logo em seguida com um encantamento.

- O que está havendo? - a garota perguntou, parando ao lado do pai.

- Fique aqui. - foram as únicas palavras de Ivory, conforme caminhava para a porta do quarto.

- Mas por que? - Adhara questionou, seguindo-o com os olhos.

- Eu lhe avisarei quando puder sair, mas, por enquanto, fique aqui. - e com isso ele saiu do aposento.

A sonserina correu até a porta e, ao tentar abri-la e não conseguir, concluiu que seu pai deveria tê-la trancado também ao sair. Apanhou a varinha que estava sobre a mesa de cabeceira e tentou um "Alohomorra!" que não deu resultados. Kamus provavelmente havia usado algum tipo de feitiço que requeria uma senha para ser desfeito.
Mas afinal, o que o Auror estava pensando ao deixar a filha trancada sem mais explicações além de uma ordem para que ela ali permanecesse?

Adhara suspirou, jogando a varinha feita de hera de qualquer jeito sobre a cama e em seguida caminhando de forma desalenta até a janela. Ela afastou a cortina apenas alguns dedos para observar o tempo que fazia fora da casa. Estava certa ao pensar que o nevoeiro diminuíra, o céu estava mais visível naquele dia do que estivera durante todo o verão. Mas, ao admirar os jardins que se perdiam de vista, a garota notou algo que não casava com o resto da paisagem e que ela jamais vira antes.
Parada próxima à porta de entrada do antigo casarão estava uma imponente carruagem negra, maior do que aquelas que transportavam os alunos de Hogwarts no início e término dos anos letivos. O veículo era puxado por quatro criaturas que Adhara reconheceu como sendo cavalos alados da raça graniana, de cor acinzentada e com fama de serem muito mais velozes que os abraxanos, etonianos e até mesmo os testrálios. Ela franziu a testa, achando aquilo um tanto estranho, não haviam granianos na Grã-Bretanha.

A jovem afastou-se da janela, apanhou novamente sua varinha, e caminhou até um quadro que ficava em um dos cantos mais escondidos do cômodo. Na gravura, três ninfas brincavam em meio a árvores e flores, sorrindo para a garota.

- Vocês poderiam me dar passagem?

As ninfas assentiram e o quadro abriu-se, revelando um buraco na parede. A sonserina agradeceu mentalmente que seu pai houvesse esquecido de trancar aquela passagem, ou talvez o Auror sequer soubesse da existência dela. Aquele era o caminho que Adhara sempre usava para chegar até o mausoléu de sua mãe.
Kamus que lhe desculpasse, mas, pelo menos daquela vez, ela não o obedeceria. Não ficaria parada esperando por respostas que, mais tarde, certamente não viriam.

* * * * *

Nott deixou escapar um murmúrio entediado enquanto brincava com a varinha entre os dedos. Patético. Quanto tempo mais aqueles três permaneceriam trancados lá dentro? Esse era o pensamento que passava pela mente do garoto enquanto ele encarava, insistentemente, a porta de madeira escura à sua frente.
Um barulho no fim do corredor fez com que o sonserino desviasse o olhar para a averiguar de quem se tratava a presença recém-chegada. Thedore sorriu, era Adhara.

A jovem obteve sucesso em esconder a surpresa ao ver seu primo parado exatamente em frente à porta do escritório de Kamus. Endureceu ainda mais seu semblante e caminhou até Nott.

- Demorou um pouco para chegar. - Theodore disse em um sussurro.

- O que fa-... - Adhara não pôde concluir sua sentença por causa do dedo que o primo pressionou sobre seus lábios, silenciado-a.

- Shhh... A porta pode estar com um Feitiço de Imperturbabilidade, mas um elfo doméstico qualquer ainda poderia nos ouvir caso estivesse passando aqui por perto.

Ela afastou a mão de Theodore do seu rosto.

- Pouco me importa. Eu estou na minha casa, elfo algum poderá me dizer o que fazer ou onde estar. - Adhara olhou para a porta do aposento onde sabia que seu pai se encontrava - Você pelo menos sabe o que está acontecendo lá dentro?

Nott deu de ombros, ainda sorrindo daquela maneira que tanto irritava a prima. Embora se mantivesse mais fria do que o gelo, nos últimos dias a sonserina sentia uma crescente repugnância quando pensava no filho de Alrischa. Não o perdoara por ter ousado abraça-la.

- Sei apenas que os três estão trancados nessa sala, e daí parece que não irão sair tão cedo. Imagino que devam ter muitos assuntos para tratar, são tantos anos que não se encontram... Apenas me magoa o fato de estarem fazendo uma pequena reunião de família e não terem sequer nos convidado. - a última frase ele declarou com ironia.

- Se você quer me dizer alguma coisa, então diga de uma vez. Pare de ficar fazendo essas insinuações que não nos levam a lugar nenhum. - retrucou Adhara, provocando risos em Nott.

- Está bem, minha querida prima. Mas trata-se exatamente disso que você está pensando... - ele encarou fixamente os olhos da garota - Neste momento, dentro dessa sala, estão o seu pai, a minha mãe, e a nossa avó.

A sonserina sentiu a própria respiração falhar por alguns instantes diante da surpresa e foi obrigada a desviar seus olhos de Theodore, antes que a máscara lhe caísse... "A nossa avó", ele havia dito... Betelgeuse Sandrine Black Ivory.

- Eu a vi chegando, - continuou o garoto - na carruagem da família Ivory. Minha mãe estava junto dela. Só a conhecia por fotografias, mas vendo-a agora, mesmo de longe, percebo que o tudo o que dizem sobre a nossa avó é verdade. Ela realmente deve ter sido uma autêntica beldade quando era mais jovem.

Adhara quase não ouvia as palavras de Theodore. Betelgeuse Ivory... A mãe de Kamus, a avó que ela jamais conhecera. Uma das últimas representantes vivas da família Black, um sobrenome praticamente extinto nos dias de hoje, e a líder do clã Ivory, também chamada de "A Grande Matriarca" entre os russos.

O que poderia explicar a presença de sua avó naquele local agora? A garota acreditava que Betelgeuse houvesse renegado completamente o filho caçula após ele ter traído a família, ignorando o credo da superioridade dos puros-sangues e tomando como companheira uma mulher de sangue mestiço, tendo uma filha com ela e dando o próprio sobrenome a essa criança que era tida como "inferior".
Kamus jogara no lixo os ensinamentos das Artes das Trevas que recebera por tantos anos e ingressara na carreira de Auror, voltara-se contra aqueles que eram tidos como "os de sua espécie" e, sobretudo, assassinara o irmão mais velho para vingar a morte daquela por quem havia abandonado tudo: Anabelle.

Havia Betelgeuse esquecido tudo isso? Não... Adhara tinha certeza de que isso não era possível. A garota encarou mais uma vez a porta, desejando poder atravessá-la e descobrir o que se passava dentro do escritório de seu pai... Apenas não entendia... Por quê?

Parecia-lhe absurdo agora que, até poucas horas atrás, sua maior preocupação fosse saber se o nevoeiro havia diminuído o suficiente para poder voar em sua Firebolt.

~ Adhara Ivory ~ 10:27 AM ~ ~

~ Quarta-feira, Outubro 05, 2005


Férias da Adhara
Parte IX


Adhara folheava tão rapidamente o livro que quase lhe arrancava as páginas antigas e amareladas... Inferi... Inferi... Onde poderia estar?
A biblioteca de sua casa era extensa e contava com uma enorme quantidade de livros sobre magia. Livros que pertenciam a Kamus e que ele, por sua vez, herdara de seus ancestrais. Enormes fileiras de estantes erguiam-se para cobrir as paredes, abarrotadas com volumes grossos encadernados em couro. Mas, mesmo assim, aquela biblioteca nem se comparava ao tamanho da que existia em Hogwarts.

- Adhara?

Ela deixou cair o livro que segurava ao virar-se bruscamente. A luz que provinha da ponta de sua varinha iluminou os traços cansados e o brilho triste presente no olhar de um homem que na verdade era muito mais jovem do que aparentava. O coração da sonserina acalmou-se ao ver que não se tratava de nenhum inimigo, e sim de Remus Lupin, seu antigo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.

O choque de ver Lupin parado ao seu lado durou poucos instantes, logo sendo substituído pelo entendimento. Seu pai dissera, antes de sair para atender a um chamado de Alastor Moody, que Olho-Tonto mandaria alguém para permanecer com ela, mas a garota mal dera atenção. De tão intrigada que ficara para descobrir do que se tratava Inferi, a arma que os Comensais da Morte pareciam estar fazendo uso, ela rumou diretamente para a biblioteca da casa assim que viu o pai desaparecer pela porta de entrada do casarão.

- Como me encontrou aqui, Professor?

- Um elfo doméstico fez a gentileza de me dizer. - Lupin abaixou-se e apanhou o volume que Adhara deixara cair. - O que estava procurando em um livro que fala sobre maldições que causam dano irreversível? - ele perguntou, lendo o título que se encontrava na capa.

Adhara não envergonhou-se perante o olhar curioso do ex-professor.

- Inferi. Meu pai disse que é isso o que os servos de Ele Que Não Deve Ser Nomeado podem ter usado para matar Amelia Bones. Sabe do que se trata?

Remus não respondeu de imediato. Ele guardou o livro de volta na estante de onde Adhara o havia tirado, e então fez um sinal para que a garota o seguisse. Somente quando a porta da biblioteca fechou-se atrás deles e ambos começaram a caminhar por um corredor parcialmente iluminado, refazendo o caminho para a sala de visitas, é que Lupin voltou a falar.

- Inferi, Adhara, é magia negra muito avançada. E, na minha opinião, um dos maiores atos de desrespeito ao ser humano. - eles agora iniciavam a subida por uma estreita escadaria - É uma maldição usada para reanimar o corpo daqueles que já perderam a vida. Mas não se engane, não existe nenhuma forma de trazer uma pessoa morta de volta à vida, nem mesmo Voldemort, que se julga tão poderoso, pode fazer isso. Ninguém pode. Tudo o que ele faz é dar movimento a cadáveres e assim transforma-los em seus soldados.

- Então, dessa maneira, poderíamos dizer que, quanto maior o número de pessoas que o Lord das Trevas e os Comensais da Morte assassinam, mais poderosos eles se tornam. - a garota concluiu o pensamento que Lupin lhe apresentou.

Remus sorriu levemente ao ver que a sonserina havia compreendido. Adhara fora uma de suas melhores alunas durante o breve período em que ensinara em Hogwarts. Uma jovem inteligente e talentosa, como sede de superação, sabia que ela deveria ter herdado isso do pai. Em sua opinião, a menina Ivory se tornaria uma excelente bruxa dentre em mais alguns anos.

Finalmente alcançaram o patamar que abria-se em um enorme hall. Somente agora, com a rica iluminação, Adhara pôde notar o quão esmorecido Lupin parecia. O rosto precocemente envelhecido dele estava coberto de arranhões, alguns superficiais e outros bem fundos e olheiras pronunciavam-se por de baixo das orbes castanhas. Então ela deu-se conta do motivo disso: até a noite anterior houvera lua cheia.

- O senhor está bem? - ela perguntou de repente.

Lupin surpreendeu-se com aquela atitude inesperada.

- Sim. Por que pergunta isso?

- A transformação... Eu já li que ela costuma ser dolorosa. - Adhara disse, um tanto incerta se deveria tocar naquele tipo de assunto.

Remus fitou a garota com um misto de surpresa e certo agradecimento pela velada preocupação que ela demonstrava para com o seu estado. Já havia dado-se conta, pelo curto tempo em que conviveram a quase três anos atrás, de que Adhara era menos fria do que tentava aparentar. Sorriu para a sonserina e estava a ponto de afirmar que não havia nada de errado consigo quando outra voz espalhou-se pelo local.

- O que está acontecendo?

Theodore Nott estava parado no alto do último lance de escadarias, encarando a ambos com uma expressão intrigada. Adhara soltou um pequeno suspiro impaciente ao ver o primo, quase havia esquecido de que ele ainda estava em sua casa.
Nott alcançou o hall e caminhou para perto do homem e da garota, postando-se ao lado da prima.

- O que esse senhor faz aqui? - o sonserino falou aquilo lançando a Lupin um olhar que demonstrava o quão insatisfeito estava com a presença do ex-professor de DCAT.

- Vim para fazer companhia a Adhara, Theodore. - Lupin respondeu o garoto, fingindo não notar a forma grosseira com que fora recebido por ele.

Nott sequer deu atenção ao que Remus disse, virou-se imediatamente para a garota, sorrindo-lhe.

- Se estava sozinha poderia ter ido até o meu quarto, prima.

Adhara não lhe respondeu, de fato preferiu fingir que sequer havia ouvido a oferta de Theodore.

- Fique à vontade, professor, os elfos estão ao seu dispor, peça-lhes qualquer coisa e eles o atenderão. Eu estarei no meu quarto caso precise de mim ou queira falar-me. - com um aceno de cabeça ela cumprimentou Lupin e virou-se, ainda sem olhar para Theodore, para começar a subir as escadarias.

A jovem havia galgado apenas poucos degraus quando ouviu passos atrás de si. Sabia quem era: Nott. Apressou-se para subir os degraus restantes e entrou no primeiro corredor que viu, mesmo que aquele não fosse o andar em que se encontrava o seu quarto. Caminhou rápido, ignorando os cumprimentos que os quadros presentes nas paredes lhe dirigiam. Os passos atrás dela também se apressaram.

Alguns minutos passaram-se nessa silenciosa perseguição, até que Adhara, percebendo que Theodore a seguiria até o último andar da casa se necessário e farta dessa "brincadeira" de gato-e-rato, parou e virou-se. Rosto inexpressivo e imperscrutável. Ela fitou o primo com frieza até que ele traçasse os passos restantes para alcança-la.
Quando Nott parou em frente a garota ele estendeu as mãos de dedos finos e segurou os ombros dela, aproximando-se ainda mais. Pouquíssimos centímetros os separavam, mas Adhara não se mexeu.

- Por que fugir de mim, Adhara? - Theodore perguntou baixinho, uma mão deixando o ombro da prima e encaminhando-se para os cabelos escuros dela.

- Eu não fugia, você é quem estava me perseguindo. - ela respondeu, ainda imóvel e sem mostrar nenhuma alteração, apesar de lhe causar asco ter a mão de Nott acariciando seus cabelos. Não confiava no primo, queria mantê-lo o mais longe possível de si.

Como se adivinhasse os pensamentos dela e quisesse fazer justamente o contrário da vontade da prima, Theodore puxou-a para ainda mais perto e a abraçou. Um abraço apertado, que parecia nunca querer acabar. Adhara conteve um leve estremecimento quando o rapaz apoiou o queixo em seu ombro.

- Adhara, você é a minha mais querida prima. A parente por quem eu sinto mais afeição... Não existem motivos para essa sua conduta tão arredia.

A sonserina controlou-se para não se mostrar por demais abalada, quebrar a sua máscara de frieza era justamente o que Theodore estava tentando fazer. E ela não daria ao primo o que ele desejava.

- Eu não gosto de jogos, Theodore, por isso vou ser o mais clara possível. - ela começou, ainda presa entre os braços do rapaz - Não sei o que você está querendo, e nem o que está planejando, mas me deixe fora disso.

Adhara então apoiou seus braços no peito do primo e empurrou-o para longe, dando fim naquele abraço que ela não havia consentido.

Nott deixou-a ir, e não voltou a segui-la, no momento isso seria inapropriado. Mas, apesar da garota tê-lo afastado, ele tinha um sorriso nos lábios conforme observava a prima desaparecer pelo corredor escuro. A jovem Ivory agira da maneira com que ele esperava... E Theodore tinha absoluta certeza de que, com o tempo, Adhara faria exatamente o que ele queria.

~ Adhara Ivory ~ 9:33 AM ~ ~

Blog pertencente ao Expresso Hogwarts.

~ IVORY, Adhara K.


Estudante do 6º ano da Sonserina, suas características marcantes são o gênio difícil e a língua ferina. Adhara é bastante fechada e pouco gentil com desconhecidos, mas também pode ser uma amiga extremamente fiel e protetora, apesar de pouco propícia a demonstrações de afeto. Foi criada pelo pai, Kamus Ivory, descendente de um clã russo de bruxos puros-sangues e Auror extremamente talentoso para duelos, talento esse que a filha parece ter herdado. Sua mãe era uma bruxa mestiça de nome Anabelle Timms, uma conhecida curandeira do Hospital St. Mungus que foi assassinada por Rigel Ivory, irmão de Kamus, quando Adhara era apenas um bebê, embora a garota conheça desde tenra idade os fatos obscuros que rodeiam a morte de sua mãe. Um de seus maiores dons é o talento para desenhar, fato que ela prefere manter em segredo do que dividi-lo com seus amigos, e a frieza que demonstra em situações de extrema pressão e perigo.

~ Pais


~ Pai: IVORY, Kamus D. Cerca de 38 anos. Auror. Exímio duelista. Caçula de três irmãos. Frio. Calculista. Altivo. Puro-sangue. Ivory. Black. Sonserina.

~ Mãe: TIMMS, Anabelle B. B. Morta há 15 anos. Curandeira. Mãe carinhosa. Filha única. Inteligente. Orgulhosa. Nobre. Mestiça. Timms. Barton. Corvinal.

~ Família Paterna


~ Avô: IVORY, Sthepanio A. Falecido há cerca de 19 anos. Russo. Líder. Tradicional. Puro-sangue. Rígido. Exigente.

~ Avó: IVORY, Betelgeuse S. B. Inglesa. Descendente da família Black. Bela. Sutil. Traiçoeira. Sonserina.

~ Tio: IVORY, Rigel A. Morto por Kamus Ivory. Primogênito. Comensal da Morte. Fiel ao credo puro-sangue. Bruxo poderoso e intolerante.

~ Tia: NOTT, Alrischa I. Casada e mãe de um filho. Filha do meio. Fraca. Submissa. Deixava-se manipular unicamente para agradar seu pai.

~ Primo: NOTT, Theodore. Sonserina. 6º ano. Perpicaz. Pensativo. Perigoso. Usualmente isolado. Pouco digno de confiança. Demonstra muito interesse pela prima.

~ Prima em 3º grau: JOHNSON, Meridiana A. B-T. Grifinória. 6º ano. Nicholas Johnson (trouxa) e Elizabeth Black-Thorne (bruxa). Simpática. Espontânea. Estudiosa. Literatura. Grupo de teatro. Vôo ornamental em vassouras.

~ Família Materna


~ Avô: TIMMS, Christopher S. Trouxa. Professor de física. Calmo. Divertido. Compreensivo. Não mantém muito contato com a neta.

~ Avó: TIMMS, Mira B. Puro-sangue. Decidida. Controladora. Dedicada à família. Contrária à união de Anabelle com Kamus. Evitada pela neta.

~ Tio avô: BARTON, Heike. Conselho Internacional de Magia. Respeitado. Influente. Vive em um antigo castelo na região da Cornualha, vindo a Londres apenas para visitar a irmã e participar das reuniões do Conselho.

~ Tia avó: BARTON, Natassia Doce. Sensível. Carinhosa. Dotada de saúde frágil. Costumava ser professora de Feitiços em uma escola irlandesa.

~ Primo em 2º grau: BARTON, Quatre. Primogênito. Auror recém-formado. Especialização em magia defensiva. Gentil. Educado. Corajoso. Tinha grande carinho por Anabelle.

~ Primo em 2º grau: BARTON, Trowa. Filho caçula. Grifinória. 7º ano. Sério. Calado. Imprevisível. Sempre parece saber mais do que verdadeiramente diz. É o parente materno a quem Adhara dedica mais simpatia e atenção.

~ Relacionados


Blog matriz: Expresso Hogwarts

~ Fotografias


Familiares

Kamus e Anabelle (1979)
Anabelle como Medi-Bruxa
Stephanio e Betelgeuse Ivory

Eu e Amigos

Adhara criança (1985)
Adhara durante o 2º ano em Hogwarts
Casarão dos Ivory nas férias de inverno
Adhara e seu Patrono
Adhara em sua casa
Adhara e Meri estudando Poções
Adhara e Meri na Torre de Astronomia

~ Acervo


Pequena coletânea de fanfics do 5º ano (OdF)

Prólogo
O Mausoléu
A Fotografia
Riso Eterno
Despedidas
Insônia
Segredos e Mentiras
Entre Primos
O Desenho
Aulas de Astronomia
A Visão na Torre
Questionamentos
A Carta
Mágoa

~ Créditos


Design e HTML
Adhara Ivory

Candy Doll
Meridiana Johnson

Hospedagem
Blogger

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